
Só agora vejo minhas atitudes antes da recuperação. Eu sempre tinha essa postura de um ansioso e egoísta torrãozinho de doenças e reclamações, queixando-me de que o mundo insistia em não fazer minhas vontades e vivia amargurado e achava que eram os outros que me impediam de ser feliz. Sempre usava frases começando com: Mas se ele fizesse o que eu peço; Ou: se ela pelo menos me deixasse em paz; Ou: se ele saísse do meu caminho, etc... Durante muito tempo ainda em recuperação eu ainda me agarrava aos outros; sendo sempre uma vítima. E sempre tendo alguém para apontar como responsável pela minha infelicidade, pelas minhas dores no corpo, pelas minhas enxaquecas e por qualquer coisa que não desse certo na minha vida. Culpava sempre os outros pelos meus relacionamentos fracassados; comportamentos destrutivos; pela minha covardia para buscar novos empreendimentos; vícios e descontroles desesperados e minha lista de queixas e acusações só aumentava. Não sabia na época que isso era o que chamamos nas reuniões de negação. Culpar os outros pelas minhas desgraças; era um jeito confortável que eu tinha de não assumir a minha responsabilidade pelas minhas escolhas. Era tão mais fácil culpar meus pais pela educação errada que me deram, do que assumir que eu tinha escolhas e podia me comportar diferente do que eu tinha aprendido e sustentar minhas escolhas. Toda vez que eu me colocava no papel de vítima, ficava confortável pra dizer que não conseguia ser feliz por causa de outrem. Porque a vítima não pode fazer nada. Não tem como se defender. Fica à mercê do agressor. No programa eu me tornei adulto e aprendi a me defender; e comecei a me responsabilizar por minhas escolhas. Meditação para o dia: Posso ter sido vítima no passado. Aprendi com isso; e hoje sou eu quem escolhe. Texto - S. B Quevedo do livro "Um dia de cada vez todos os dias" Narração - Christian Simon Edição - Antônio Leal Produção - Marta Lima © Videobes 2017