
Foi muito difícil eu encontrar algum defeito em mim durante o tempo em que eu bancava a vítima. Minha madrinha me ajudou e sugeriu que eu primeiramente fizesse uma lista de pessoas contra quem eu tinha ressentimentos. Junto comigo começamos a investigar como, por exemplo, eu tinha tanto ressentimento contra meus pais. Eu alegava que os vícios deles me deixaram traumatizado e que crianças jamais deveriam presenciar violência doméstica, sofrer abusos físicos e psicológicos. Minha madrinha perguntou se eu poderia reconhecer 1 ou 2 coisas boas que eles tinham feito por mim, e se eu estava disposto a perdoá-los. Lembrei que meus pais foram ótimos provedores e nunca passei fome ou sequer privação de qualquer necessidade material. A segunda coisa boa que lembrei deles foi que me ofereceram muitas oportunidades como conhecimentos, lazeres e diversões, passeios e uma educação acadêmica sofisticada e os melhores cursos e faculdades. Minha madrinha me contou que no caso dela, os pais a haviam proibido de viajar ou estudar, e que ela deveria se resignar a aprender ser uma boa dona de casa pra conseguir um bom casamento. Mas depois que ela se tornou adulta ela arrumou um emprego e se dedicou aos estudos e trabalhou duro por sua independência financeira e assim não precisava mais que lhe dissessem o que ela podia ou não fazer. Então ela me perguntou se meu ressentimento tinha algum ingrediente do presente ou se eram só os fatos do passado. Naquele dia fui obrigado a reconhecer; que meu ressentimento nada tinha a ver com fatos passados; e sim o fato presente de eu ainda não estar me sustentando; e por isso não poder impedi-los de se meter na minha vida. Eu tinha idade, mas não era adulto. Em relação ao passado só me restava perdoar. Mas em relação àquele presente eu podia e devia mudar. E essa conscientização foi meu ponto de partida. Meditação para o dia: Com o Passo 4, fui abrindo cada ressentimento e verificando minha participação. Texto - S. B Quevedo do livro "Um dia de cada vez todos os dias" Narração - Christian Simon Edição - Antônio Leal Produção - Marta Lima © Videobes 2017