
Quero começar descrevendo o mundo de até então como um riacho de água corrente, no qual comportamentos, hábitos, métodos sempre esteve a mudar, sempre se movendo. Mesmo que nunca existisse um movimento contínuo o movimento existiu. Entretanto sempre segue as leis da natureza: quase tudo neste universo, se move em ciclos, pulsa. Há tempos de rápida mudança e há momentos em que a velocidade e o choque resultante do futuro forçam o retorno de vários passados. Este retorno para alguns é o desejo de um lar permanente, para outros é a esperança de incluir algumas características do passado no presente e, finalmente, para alguns, é uma curta pausa no movimento do riacho. [...] de fato ao se criar Visões de Futuro – pessoal, profissional ou social - é prudente considerar que o mundo pós pandemia é mais do que uma “curta pausa no movimento do riacho descrito nas palavras anteriores. É uma inflexão. É uma dobra que oculta os ciclos anteriores. Por isso – atualmente - criar futuros por meio de recriar passados alternativos é um ato inócuo já que as políticas e economias antigas pelas quais os indivíduos anseiam não são mais relevantes e, de fato, são incrivelmente romantizadas. [...] a "modernidade de crescimento contínuo"; tirou as almofadas do passado, ou seja, a identidade, a família, uma comunidade local, conexão com a natureza e um senso do cosmos. Nunca se trata de ver o mundo injusto. É como ele é. Nem justo, nem injusto – como ele é. Assim, a mente daquela pessoa comprometida com a criação de uma Visão de Mundo capaz de ser descrita – e, portanto construída – deve levar às ultimas consequências as seguintes questões. ¾ incluir a necessidade de conexão com a natureza, ¾ estar em torno das conveniências da modernidade, o rápido, o limpo e o eficaz - de banheiros a computadores! ¾ reconhecer a necessidade de contribuir para os outros e a necessidade de ficar sozinho, de não participar. ¾ O verdadeiro desenvolvimento a partir dessa perspectiva é a auto-realização individual e a criação de uma sociedade na qual os indivíduos tenham suas necessidades básicas atendidas para que possam desenvolver seu potencial. [...] a tarefa de criar novas visões de mundo é difícil e solitária – fincada na identidade - , capaz de nunca se identificar com nenhuma cultura, estado-nação ou visões anteriores. Acima de tudo as novas visões do futuro devem fortalecer a identidade e o poder humano sem que o poder humano criado seja inclinado a oprimir. E, finalmente, novas visões devem articular seu próprio “lado escuro”, devem construir políticas que incorporem suas próprias contradições e devem evitar desenvolver a enantiodromia _ ou seja - , a tendência de pessoas, instituições e estruturas se tornarem seus opostos, para se tornarem aquilo contra o qual lutam. "Tudo surge desse modo, opostos criando opostos". Heráclito exemplifica a enantiodromia com um arco e flecha, em que ao puxar a corda do arco em uma direção lançamos a flecha na direção oposta e com um objeto que quanto mais forte é atirado para cima, mais forte é o impacto que causa ao retornar. Assim, o retorno do oposto da força seria uma lei natural do mundo. Em última análise a pessoa pode ir tão longe quanto mapear e mudar memes e campos da realidade. Um abraço – Seja feliz e participe – será um marco na historia da sua Identidade e da sua Visão de Futuro.