
O acordo entre os Estados Unidos e o Paraguai para desenvolver uma estrutura de computação de alto desempenho abastecida pela energia de Itaipu se insere em uma aproximação estratégica entre Washington e Assunção, que também envolve cooperação em segurança e combate ao narcotráfico. Embora o governo brasileiro não identifique, até o momento, riscos ao fornecimento nacional de energia, o uso de recursos de uma hidrelétrica binacional para atender a projetos ligados a empresas americanas levanta questões sobre soberania energética e interesses dos EUA na região — já visada pela Casa Branca no que diz respeito ao petróleo venezuelano e às terras raras sul-americanas. Quais são as possíveis implicações do acordo para o Brasil e para a gestão compartilhada de Itaipu? Quais setores e recursos estratégicos estão no centro dos objetivos americanos? Para entender o tema, recebemos Camilo Carneiro, professor de relações internacionais e geopolítica da Universidade Federal de Goiás (UFG); e Lucas Kerr, professor do Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (Nupri), da Universidade de São Paulo (USP). Agora disponível na Rádio Metropolitana do Rio de Janeiro, 80.5 FM.