
Na Pauta História: Episódio #08 Revolução de 1923 A revolução começou com uma disputa pelo poder político e pela interpretação da Constituição de 1891, que dizia que o presidente só poderia ser reeleito se obtivesse o sufrágio de três quartos do eleitorado. A oposição pediu a anulação da eleição, e as forças legais da Brigada Militar enfrentaram milícias formadas pela oposição. Durante a guerra, muitas cidades foram tomadas, houve muitos combates e muitas famílias ficaram enlutadas. Um dos momentos mais difíceis aconteceu em 2 de outubro, quando os rebeldes atacaram a cidade de São Francisco de Assis, matando muitas pessoas e causando destruição. Apesar de menos sangue do que nas outras revoluções no Rio Grande do Sul, a revolução de 1923 deixou marcas profundas na região. Livros como "Sombras na correnteza" de Cyro Martins e "O arquipélago" de Erico Verissimo, assim como o depoimento "A campanha de 1923" de Flores da Cunha, prefeito de Uruguaiana, retratam a realidade e as lutas da época. Em 1923, mesmo com menos sangue, houve muitos combates, cidades tomadas, mortes e famílias enlutadas. Um dos momentos mais atrozes aconteceu em 2 de outubro, o conflito só terminaria em dezembro, no chamado Pacto de Pedras Altas com o ataque a São Francisco de Assis, 700 rebeldes avançaram contra 80 governistas entrincheirados na defesa da cidade. A oposição foi às armas para forçar uma intervenção federal no Estado na medida em que Borges de Medeiros não havia apoiado a candidatura do eleito presidente Arthur Bernardes. Inacreditavelmente o governo federal declarou-se neutro. Via a mortandade numa das unidades da nação e deixava rolar. Flores da Cunha queixava-se de infrações a essa neutralidade “Por ele um comerciante, bolicheiro, arrependido de ter sido maragato, ficamos cientes da nova violação da neutralidade federal e do recurso de que o inimigo lançara mão para evitar o combate final em campo raso!” Flores da Cunha acusaria Batista Luzardo de fugas e covardias. Luzardo é outro nome que se tornaria épico na história dos rolos gaúchos. Ele e Flores estariam juntos na revolução de 1930, comandada por Getúlio Vargas. Só em Ponche Verde, de 3 de setembro, mais de 50 homens teriam morrido em combate. As degolas praticadas contra maragatos foram denunciadas em quatro textos no jornal “O Estado de São Paulo”, intitulados “A revolução rio-grandense – sangue em ruínas”, assinados pelo advogado Rego Lins. O quarto desses textos diz: “Às degolações do dr. Gustavo Staller e de Francisco Corrêa de Moura no Herval Seco seguiram-se outros cruéis assassínios na região serrana estendendo-se a sangueira hedionda desses justiçamentos sumários a todas as regiões do Rio Grande do Sul”. A última demonstração de barbárie das elites gaúchas terminou com um acordo de cavalheiros mediado por Setembrino de Carvalho, ministro da Guerra: Borges de Medeiro cumpriria seu quinto mandato, as reeleições ficariam proibidas e o vice-governador, então indicado pelo governador, passaria a também ser eleito. Eduardo Leite seria o primeiro a se reeleger depois dessa proibição que, mesmo depois de expirada, ficou como maldição. Instagram: https://www.instagram.com/napautahoje/ Twitter: https://twitter.com/naPautahoje Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCJfh6D6AktjpYvT9svTVSOA