
Texto de Giovanni Mesquita* Li, pela primeira vez, grande parte de Moby Dick numa ida ao Rio de Janeiro, de ônibus. Sim, nós, pobres, íamos para o Rio de Janeiro de ônibus. E do convés do Pequod só desembarquei no Cais do Valongo. Lembro de ouvir dizer que os moradores daquela cidade, no começo do século XIX, tinham dificuldade de dormir por causa dos cantos de baleia que infestavam a Baía de Guanabara. Em festa, cetáceos de todas as procedências se refastelavam nesse sítio. Bonita essa imagem de pobres diabos de camisola de dormir e touca de pompom a rolar na cama em torturante insônia, provocada pela lascívia dessas divas gigantes. Mas essa poesia se desfaz ao saber que aqueles descontentes com essas temporadas operísticas exultavam quando a ganância do mercado as encerrava de maneira autoritária e sanguinolenta. A alegria dessas belas árias cetáceas acabava, de maneira shakespeariana, com a Guanabara tingida de carmim pelos arpões dos baleeiros. Qual seria o nosso tema, penso eu, baleias, baleeiros, o livro de Melville…? Difícil dizer! Nunca esqueço do texto do Aldir Blanc, lá do livro Rua dos Artistas e Arredores. “Estava com o capitão Ahab […] em busca do terrível cachalote, quando [...] O post Mocha Dick – A fera do mar apareceu primeiro em netmundi.org.