Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial nos fará mesmo trabalhar menos? Na esteira dos debates sobre a extinção da jornada de trabalho 6x1, alçada pelo governo como sua principal bandeira neste ano eleitoral, reportagens publicadas no fim de fevereiro na Veja e na Folha provocaram indignação de parte do público. Os textos transpareciam ideias de que o brasileiro já trabalha pouco, não é suficientemente esforçado e que o descanso semanal é um custo. No centro da polêmica, está o conceito de “produtividade”. E, de fato, geramos muito menos riqueza por hora trabalhada do que profissionais de nações desenvolvidas. O problema se agrava quando, diante dos números, as análises incorporam moralismo, como se isso fosse um traço da cultura brasileira, e catastrofismo, que sugere que melhorar as condições de vida das pessoas levaria a economia a um colapso. Correndo por fora, a IA surge como uma força que magicamente melhoraria a nossa produtividade. Economistas e empresários, com destaque para Bill Gates, argumentam que os ganhos trazidos por essa tecnologia poderiam viabilizar semanas com quatro e até três dias de trabalho apenas. A redução da jornada de trabalho é um tema naturalmente popular, mas que não permite leituras apressadas ou populistas de nenhum lado. E a inteligência artificial, a despeito de todo o seu poder, não muda nada quando o debate já nasce enviesado. É preciso abandonar as promessas fáceis, as acusações e as ameaças para entender como aumentar nossa produtividade, como a tecnologia pode nos ajudar nisso e o que mais precisa ser feito para sairmos dessa histórica situação trabalhista subalterna. Essa tecnologia pode ser, sim, uma importante aliada em qualquer caminho que escolhamos. Mas nada virá automaticamente. É sobre isso que falo nesse episódio.