
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Pouca gente pensa (ou mesmo sabe) o que se gasta de recursos para que a inteligência artificial funcione. É um erro achar que tudo é grátis ou até barato, mas essa percepção e o marketing irresponsável das empresas que desenvolvem essa tecnologia estão criando uma explosão de usos banais da IA, enquanto a maioria das empresas ainda patina na busca por resultados concretos para seus negócios. Alguns acontecimentos nos últimos dias me fizeram pensar mais sobre isso. Na terça, na palestra de abertura da conferência Gartner Data & Analytics, em São Paulo, Sarah James, diretora da consultoria, disse ter uma amiga “que não faz mais nada sem antes consultar a IA”. Na mesma fala, ela mostrou que, apesar de 80% das empresas investirem em projetos de IA, apenas 20% já obtiveram qualquer retorno deles. Em outro caso, a revista “Piauí” trouxe uma crítica à ocupação das redes sociais por conteúdo de baixa qualidade produzido por IA, destacando a popularização de vídeos com frutas antropomorfizadas e sexualizadas. As big techs não se importam com isso, pois se beneficiam financeiramente com essa prática, que gera muitas visualizações. Vemos pessoas dizendo estar apaixonadas ou fazendo terapia com plataformas de IA, usos inadequados de uma tecnologia que agrada seus usuários além do aceitável. Enquanto isso, um artigo de “The Economist” explicou que a IA enfrenta a sua primeira crise, pois fornecedores não conseguem suprir a demanda explosiva de data centers por processadores, memórias, transformadores, painéis elétricos e turbinas a gás. Isso não é um acidente, e sim uma consequência de um modelo de negócios baseado em atenção. Mas esse desalinhamento entre usos tolos e exigências estratosféricas merece uma avaliação econômica e ética sobre se faz sentido consumir tantos recursos para produzir “AI slop”, o “lixo da IA”. Sem moralismos, será que estamos aproveitando bem uma das infraestruturas mais caras já criadas?