Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 As “big techs” querem substituir instituições da sociedade por tecnologia. Mas por quê? Todos nós usamos produtos do Google, da Meta, da Apple e de outros gigantes tecnológicos. De fato, eles facilitam enormemente a nossa vida e ainda são rotulados como "grátis". Sabemos que não há nada de graça nisso. A explicação tradicional é que pagamos por eles com nossos dados, que permitem que essas empresas ganhem dinheiro, por exemplo, nos entregando anúncios hiperpersonalizados. É o chamado “capitalismo de vigilância”. Mas a ascensão da inteligência artificial e a guerra aberta que as “big techs” travam contra qualquer forma de limitação de suas atividades, como estamos vendo no Brasil no embate contra o “PL das Fake News”, revela que esse controle que elas têm sobre nós é muito mais complexo, a ponto de que muita gente as defende nesses casos. E a tentativa de regulação da inteligência artificial fará nosso fracasso em impor limites razoáveis às redes sociais parecer algo pífio. O que essas empresas realmente desejam é uma liberdade não-regulada para, entre outras coisas, substituir instituições da sociedade em áreas como saúde, educação, transporte ou segurança por soluções tecnológicas que, segundo elas, superariam a “ineficiência” do que temos hoje. Ao ocupar um espaço tradicionalmente sob cuidados do Estado, alcançariam um poder inimaginável, muito maior que o atual. Eles só não dizem que tudo nessa vida tem um custo. Esse não será pago com publicidade em nossos celulares. Então “como essa conta fecha”? A resposta a essa pergunta afeta dramaticamente a vida de todos nós. É sobre isso que falo nesse episódio. E você, o que acha: as “big techs” deveriam poder substituir instituições e serviços públicos com produtos que elas consideram mais eficientes?