Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial está favorecendo a criatividade, enquanto prejudica os criadores. A economia criativa segue crescendo, mas os criadores estão ficando para trás. Essa é a tensão central do relatório “Re|Shaping Policies for Creativity”, publicado recentemente pela Unesco. Com dados de 133 países, ele alerta sobre uma transformação estrutural acelerada pela digitalização e pela IA, que está redesenhando quem ganha, quem perde e quem controla a produção cultural. Nunca foi tão fácil criar, distribuir e acessar conteúdo. O mercado global de bens culturais atingiu US$ 254 bilhões em 2023. Mas isso vem junto com o aumento da precarização do trabalho criativo. O documento destaca que há pouco emprego estável para criadores, os modelos de remuneração são frágeis e as plataformas digitais concentram valor. Com isso, o órgão projeta uma queda de até 24% na receita dos criadores até 2028, impulsionada pela IA e pelo uso não autorizado de conteúdos. O estudo indica que as redes sociais deixaram de ser espaços de interação para impactar a democracia, o bem-estar e a regulação global. Há uma preocupação crescente com saúde mental, governança das plataformas e desinformação. Nesse sentido, é inevitável pensar em como essas mudanças atingem o jornalismo. Quando se fala em perda de receita, desintermediação e captura de valor por plataformas, é exatamente a crise que o setor vive há duas décadas. Isso se agrava com a IA generativa, pois não só as redações perdem o controle de seu produto, como ele ainda passa a ser reprocessado e reapresentado, sem tráfego para a fonte. A cultura é um ativo econômico relevante. Mas o sistema que a sustenta está deslocando valor dos criadores para intermediários tecnológicos. Temos mais produção e circulação, porém menos remuneração. E esse desequilíbrio corrói um pilar de qualquer sociedade. Como resolver isso? É o que falo neste episódio.