Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 São Tomé ficou famoso por dizer que precisava “ver para crer” que Jesus havia ressuscitado. Seu pedido está associado ao fato de que, de todos os nossos sentidos, a visão é o que transmite mais segurança e confiabilidade. Se vemos algo acontecendo diante de nós, nosso cérebro entende aquilo como verdadeiro. Mas o avanço tecnológico, capaz de criar imagens falsas cada vez mais críveis, coloca isso em xeque e dispara alguns alertas. Na segunda passada, o comercial “Gerações”, criado em comemoração aos 70 anos da Volkswagen no Brasil, provocou polêmica ao colocar a cantora Elis Regina (morta em 1982) cantando ao lado da filha Maria Rita. Elis aparece no filme dirigindo um antigo modelo de Kombi (que deixou de ser produzida no Brasil em 2013), enquanto a filha aparece ao volante de uma ID.Buzz, furgão elétrico recém-lançado, chamado de “Nova Kombi”. Muitas pessoas questionaram o uso da imagem de Elis em algo que nunca fez (ou que pelo menos não há nenhum registro): cantar “Como Nossos Pais” enquanto dirige uma Kombi. O debate é válido, mas não me preocupo tanto com o uso da tecnologia dessa forma. Afinal, os produtores do comercial nunca propuseram enganar o público para que achasse que Elis estivesse viva e jovem. O que me deixa tenso é o uso dessa tecnologia por pessoas inescrupulosas para deliberadamente distorcerem a realidade e enganar as massas para seu benefício. Quando isso acontecer, talvez nossos olhos já não sejam mais suficientes para nos garantir o que é verdadeiro. O problema é que isso já acontecendo e tende a ficar mais comum. Nosso desafio passa por vivermos em um mundo em que não poderemos confiar nem no que vemos. Como o comercial da Volkswagen foi feito e como essa tecnologia funciona? O que podemos fazer para nos proteger de pessoas que a usam para nos enganar? Falo sobre isso e mais nesse episódio. E você, o que sugere para que não caiamos em mais esse tipo de golpe digital?