
"Beleléu Leléu Eu", mítico disco de estréia de Itamar Assumpção e da banda Isca de Polícia é vanguardista em vários aspectos. Gestado nos anos finais da ditadura militar e condensando uma personagem que nos conduz nas desventuras da metrópole, Beleléu é a cara de São Paulo no começo dos anos 1980. Híbrido, dinâmico, inovador, cortante. Fruto da experiência e do amadurecimento de seu criador, ainda hoje soa fresco. Nos encanta com sua polifonia e poesia simples, que guarda significados profundos nas entrelinhas. Mensagens universais, dilemas reais, dores com cheiro de asfalto e fuligem. Como já bem falou o poeta: "Não há saídas, só ruas, viadutos e avenidas" Itamar entendeu tão logo quanto chegou, que SP não nos ama e não se pode amar. Viveremos sempre uma relação de gosto/desgosto, com essa que nos alimenta e envenena simultaneamente. Tremendamente atual, "Beleléu" soa quase com uma ligação direta entre um Brasil corroído por um conservadorismo bronco sob mando de generais, com a realidade delirante e inexplicável que temos (sobre)vivido. Ainda assim, é um respiro para tempos pandêmicos e de morte em massa. O convidado do episódio é meu amigo, escritor, jornalista, eterna voz dos Mickey Junkies, o barítono Rodrigo Carneiro, profundo admirador do herói e da obra. Boa audição! 11/junho/2021 #vinyl #music #disco #itamarassumpção #podcast #obrafechada #música #bandaiscadepolícia #avantgard #vanguardapaulista #lirapaulistana