
Os tempos pandêmicos que vivemos nos obrigam a refletir. E é de se crer que passados esses dias de dor, que uma porção de obras se reporte a essas vivências. De genocídio assistido pela TV e comentado pelas redes sociais. Da perda de amigos e parentes e do juntar forças para continuar. Pensar as questões de saúde pública no Brasil remonta a uma discussão antiga, velha, quase mofada. Perpassa pela escravidão, pela eugenia, pela noção de construção de país, pelo desenvolvimento da psiquiatria, pelo autoritarismo militar, e pelo enquadramento de pessoas em modelos e expectativas sociais pré estabelecidas. "Holocausto Brasileiro" de Daniela Arbex e Armando Mendz, nasce do livro reportagem de mesmo nome. Ele trás à tona a memória das vítimas e dos agentes de saúde que coexistiram no Hospital Colônia de Barbacena, local onde aproximadamente 60 mil pessoas pereceram. Entender a cadeia de falhas nas mais diferentes esferas, é fundamental para que novas tragédias não surjam. É um importante termômetro do funcionamento da democracia. A incompetência do atual governo em lidar com a pandemia, e com os desdobramentos da CPI da Covid-19 tem claros paralelos com a catástrofe de Barbacena. De um lado temos aqueles que não querem respostas e do outro temos o executivo omisso que sonha reviver um sonho de ditadura que não cabe mais em nossos dias. Um sonho de ouvir o que lhe convém e calar quem quiser. A convidada deste programa é minha amiga, historiadora e mestra em História Social pela Universidade de São Paulo, Juliana Vacaro. Interessada no tema, Juliana lidou com os prontuários e histórias das mulheres do sanatório Pinel (Pirituba/SP). O papo rendeu inúmeras conexões, sobre questões profundas do país. Espero que você goste. Boa audição. 18/junho/2021 #filme #movie #documentary #danielaarbex #podcast #obrafechada #holocaustobrasileiro #documentário #saudemental #lutaantimanicomial #tratamentohumanizado