
Albert Camus foi tanto autor como personagem de sua biografia. Ocupando cadeiras como de filósofo, autor, jornalista, dramaturgo e tantas outras, o argelino, vencedor do Nobel de Literatura, plasmou o que aprendeu da própria vida, no seu pensamento e criações. A filosofia do absurdo situa-se em um espaço entre o existencialismo e o niilismo. Talvez mais brando que um e mais radical que o outro. Aceita a nossa incapacidade de domar o desconhecido e nos lança o desafio: "O que fazer, se nada faz sentido?" Os esboços para questionamentos profundos permeiam a obra de Camus. Estão em suas peças, em seus livros, em seus ensaios filosóficos. É inquietante na medida que nos proíbe de ficar indiferentes. Algo irá penetrar nossa mente, nos deixando inquietos, incomodados. Assim, o Estrangeiro, livro lançado em 1942, fala de Meursault. Um homem aparentemente banal, que vive na superfície. Das relações, dos sentimentos, dos sentidos e das experiências. Alguém que se conforma com o "tanto faz" diário e meio sem entender é tragado pelas consequências. Em tempos tão fragmentados como os nossos, onde as instituições se esfacelam, como castelos de areia na praia. Onde a razão parece cada vez menos trazer respostas, "O Estrangeiro" ganha novos contornos, e novas chaves de compreensão. Na conversa, sou acompanhado pela amiga Andréia Manfrin. Editora, intérprete, tradutora de francês e mente por trás do IG Un Plus a Mais, que trouxe ótimos pontos para discutir essa obra multifacetada. Boa audição. 25/junho/2021 #livro #book #romance #albertcamus #podcast #obrafechada #oestrangeiro #l'étranger #filosofia #literaturafrancesa #filosofiadoabsurdo #littératurefrançaise