
Quando "Songs of Love and Hate" foi composto e gravado, Leonard Cohen estava profundamente deprimido, inseguro com sua situação de artista e via sua vida despedaçando-se ao redor. Fazia uso constante de anfetaminas e entregava-se de vez aos excessos que a vida de famoso lhe proporcionava. Nesse espiral, cada vez mais o poeta/compositor canadense sentia-se perdido. A relação com a Marianne Ihlen, musa de tantas canções celebradas, deteriorou. As críticas em relação ao livro lançado à época eram implacáveis. A casa na ilha grega de Hydra não era mais um refúgio criativo. Nesse espiral, cada vez mais o poeta/compositor canadense sentia-se perdido. O disco, cujo título anuncia, quais sentimentos são norteadores da obra, ampara-se no poder da palavra. Não que a palavra seja maior que a sonoridade. Mas, porque o texto é ligação direta com os sentimentos. É a elaboração que antecede a vocalização. É a entrega das sensações, que ali é feita da forma mais honesta. Assim talvez, se estabeleça uma forma de cura. Re-imaginando a vida para expurgar feridas. Essas "Canções de Amor e Ódio" trazem os tons sombrios que refletem a desesperança que surge do apodrecimento da geração power flower. Um desencanto realista, cru e adulto que daria bases para inúmeras manifestações artísticas dali para diante. O convidado do programa é o meu amigo, músico, compositor e cantor: Jair Naves. Artista solo, com uma trajetória conhecida na música alternativa e subterrânea, Jair, acrescentou valiosos pontos de vista nesta conversa. Além disso, falamos de nossas experiências como músicos, de arte, do valor terapêutico dessa última e muito mais. Espero que gostem de ouvir, tanto quanto gostei de fazer esse programa. Boa audição! 02/julho/2021 #disco #disc #folk #leonardcohen #podcast #obrafechada #songsofloveandhate #canada #vinil #vinyl