
Jim Jarmusch já escreveu seu nome na história do cinema, em especial do cinema independente americano. Sendo profundamente autoral e ao mesmo tempo coletivista, o cineasta traçou uma filmografia que trabalha muito bem as situações episódicas, e os efeitos transformadores da jornada. Seja subvertendo deliberadamente as convenções de uma maneira quase punk, ou reestruturando formatos convencionais, abusa da criatividade, e produz filmes de diálogos múltiplos. Existe uma 'contemplação' presente em todos eles, que dificilmente não tenha algo a dizer a alguém. Em Ghost Dog, acompanhamos a jornada de um matador de aluguel, que segue fielmente os preceitos do Hagakure, o livro que traça o caminho do samurai. Por si só essa premissa é tremendamente instigante, mas ela consegue ir além, pois dialoga com uma porção de outros elementos: a cultura negra, o hip hop, os imigrantes, os desenhos animados e outros. De uma maneira quase improvável, Ghost Dog fala de ética nas ações diárias, fala de lealdade e das complexas relações entre os povos que compõem os Estados Unidos. Diferente de outros diretores que se vangloriam de se apropriar de outros produtos cinematográficos, e transformam seus filmes em um catálogo de referências, Jarmusch faz suas bricolagens a serviço do contar uma história. E faz com maestria, pois tem a seu serviço um ótimo Forrest Whitaker. O companheiro de conversa desta vez, foi o meu amigo, escritor, editor e tradutor Lucas Mendes Kater, fã confesso de Jarmusch e que acrescentou muita coisa para pensarmos o autor e sua obra. Boa audição. 09/julho/2021 #filme #movie #ghostdog #jimjarmusch #podcast #obrafechada #rza #samurai #hagakure #bushido #forestwhitaker #ghostdogthewayofthesamurai