
Ouvindo Literatura, projeto da Biblioteca Pública Mário Quintana. Poesias, contos, crônicas, trechos de escritoras e escritores nacionais e internacionais. Hoje, poema de Maria Rezende, do livro Carne do Umbigo. Texto na íntegra: A louca da casa Eu sou aquela que tem calma entra um cisco no olho eu não esfrego não vou pro espelho e procuro depois tiro com cuidado e cotonete molhado Eu não desespero eu nunca acho que é o fim eu sou a do bom senso e do juízo gasto a pele do canto das unhas mais do que doses de úísque Eu reinvento eu republico eu considero eu insisto Vez em quando eu como muito de dúvidas mais do que fome outras fico cheia ue troco iogurte por suspensão é bom ser calma eu gosto e nem cansa mas às vezes faz falta o vulcão a avalanche Ânsia de cotucar o urso com vara curta pra correr pela vida não por esporte correr até ficar sem fôlego até dar raiva de existir urso de existir medo de existir Ânsia de esfregar o olho até ficar vermelho de abusar do uísque pra doer a cabeça de manhã despedaçar copos baratos no chão da cozinha e quebrar seus dentes como só nos sonhos Mas eu sou a da calma Eu faço comida e como eu leio escrevo tomo banhos de banheira faço furos nas paredes choro em frente ao.computador Eu durmo e acordo e abro as cortinas o dia sempre olha pra mim nessa hora ele nunca falha nem eu"