
quase uma tarde cremosa. coração, bates; como quem está amoroso ou precisando escrutinar páginas virgens. há um outono lânguido tiquetaqueando por entre nuvens de lentidão; há um casal de andorinhas se buscando entre antenas e para-raios; há um homembinóculo de camisa azul, no alto de um terraço, violentando janela por janela; vozes surrealistas de crianças levantam voo por detrás de um varal; um urubu solitário espirala, talvez à cata de carniça entre o crepúsculo. os sonhos que rabiscam velhos mares não são mais daquela finidade antiga; e ser, nesta meia-hora, é descascar sem muita pressa, é interpretar nuances de magia. que mistério engravida esta cidade? ana cristina 30.3.69 17:30 Anos 1960-70 (do livro: antigos e soltos - 2008)