
O cenário do agronegócio global e nacional ganha novos contornos com as recentes movimentações geopolíticas e o avanço das safras. No mercado internacional, o acordo entre Estados Unidos e Irã abre portas para a compra de grãos. No Brasil, o foco está na estratégia do produtor de soja, que ainda detém mais de 55 milhões de toneladas da safra atual, e nas projeções otimistas que apontam para um crescimento de até 1 milhão de hectares na próxima temporada. Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, comenta que esse panorama é reforçado pelo desempenho histórico das exportações brasileiras, que já movimentaram bilhões de dólares em junho.O mercado do milho vive um momento de definições cruciais tanto no cenário internacional quanto nas lavouras brasileiras. Nos Estados Unidos, o desenvolvimento da safra avança dentro da normalidade, mas entra agora no período crítico de florescimento, onde o clima de julho será o fiel da balança para as cotações na Bolsa de Chicago. No Brasil, o ritmo da colheita da safrinha no Mato Grosso expõe desafios logísticos severos, com a formação de montanhas de grãos a céu aberto e uma pressão negativa nos preços de balcão que preocupa o produtor. Vlamir Brandalizze também destaca a perspectiva de uma safra de verão reduzida e o crescimento constante da demanda global, que sinalizam uma possível reversão de tendência a partir de setembro.O mercado global de sorgo observa uma mudança estratégica com o início da colheita no Brasil e o plantio irregular nos Estados Unidos, onde a baixa qualidade das lavouras aponta para uma safra reduzida de apenas 9 milhões de toneladas. Este cenário abre uma janela histórica para o sorgo brasileiro, que, com uma área de 2,2 milhões de hectares e demanda interna e externa aquecida, tem potencial para atingir 10 milhões de toneladas na próxima temporada. Vlamir Brandalizze destaca que isso faria o Brasil superar a produção norte-americana e consolidar como um player fundamental no comércio internacional deste cereal.