
Neste episódio do Momento Peças Raras, revisitamos a trajetória do escritor, músico, cineasta e pioneiro na valorização da cultura caipira Cornélio Pires. Nascido em Tietê, no interior de São Paulo, em 1884, Cornélio Pires começou a apresentar seus shows em 1910, percorrendo São Paulo, Minas Gerais e Goiás com a Turma dos Caipiras, grupo que reunia música, cantigas e histórias bem-humoradas sobre o cotidiano do homem do campo. Mas sua contribuição foi muito além do palco. Cornélio Pires levou o universo caipira para livros, discos, cinema e rádio, ajudando a construir uma representação muito diferente daquela que associava o caipira à preguiça, à ignorância ou à falta de inteligência. Neste episódio, também lembramos a defesa de Cornélio Pires pelo acesso dos caipiras ao voto, à educação e à saúde pública, sem que isso significasse abandonar suas tradições, sua identidade e seus modos de viver. Em “Cavando Votos”, Cornélio Pires revela um caipira astuto, como neste trecho do diálogo que foi lançado em LP em 1929 e está no áudio: Caipira: Então cê deve cunhecê muitas qualidade de árve. Homem: Conheço. Caipira: Vancê cunhece aquel'uma que ta ali perto da ponte? Homem: Conheço muito. É um ingaieiro. Caipira: Ingazeiro nada. Aquela árve aqui nóis chama de árve do guverno. Homem: Por quê? Caipira: Vancê arrepare, ói. Tem parasita inté no úrtimo gaio!... (Cavando Votos – Cornélio Pires) Neste episódio, você ainda ouve um depoimento de Pedro Massa, presidente do Instituto Cornélio Pires, que nos leva a uma viagem às raízes da cultura caipira e à trajetória desse verdadeiro pioneiro da comunicação brasileira.