
Na história oficial, a primeira emissora de rádio brasileira seria a Sociedade do Rio de Janeiro, inaugurada em 20 de abril de 1923. No entanto, antes disso, a Rádio Clube de Pernambuco já funcionava desde 1919. Como os nomes indicam, eram sociedades ou clubes, ou seja, mantidas por sócios que pagavam mensalidades. Com essa verba, eram mantidas as programações. Isso até 1º de março de 1932, quando, por meio do Decreto nº 21.111, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, a mensagem publicitária passa a fazer parte do rádio. Logo, surgem patrocínios e comerciais avulsos, na forma de textos lidos pelos locutores. Mas a grande contribuição vem com a criação do primeiro jingle, uma música publicitária criada para ser veiculada no pioneiro programa de música popular, comandado por Ademar Casé na Rádio Philips, do Rio de Janeiro. Neste Momento Peças Raras, você vai ouvir o próprio Casé relembrando essa história, além de Almirante, à época um dos grandes compositores e cantores do rádio, que comenta como os versinhos se tornaram música publicitária. A principal peça rara, no entanto, é uma produção musical de Caio Zan (da Zanzar Produtora). Em 2022, ele criou um arranjo para acompanhar a voz do compositor Nássara, que declamou a letra deste primeiro jingle em uma entrevista. A partir do primeiro jingle, a propaganda se torna a fonte geradora de recursos para a evolução do rádio em termos de número de emissoras e de qualidade de programação, iniciando um processo de profissionalização. Junto com a disseminação dos aparelhos receptores, ela transforma o rádio no mais popular meio de comunicação da primeira metade do século XX. Com mais verbas, os quadros contam com a participação cada vez mais frequente dos artistas da música popular da época, como Noel rosa, Carmem Miranda e Ary Barroso.