
Bom dia, comunidade! Eu sou Preta Barros, jornalista da Coluna de Terça, e vim apresentar para vocês os principais fatos do dia no Brasil. Hoje é terça-feira 29 de setembro de 2020, em Salvador terra do acarajé e das melhores praias, hoje fazem 27 graus, tempo fresco e ensolarado nessa manhã. A Coluna de Terça é uma publicação independente mantida por assinantes, e hoje saí a nossa 16ª edição, que sempre é quinzenal. Abordaremos as relações cibernéticas, seus conflitos e impactos na saúde mental da população, a partir da percepção de usuários e pensadores de redes sociais. Falaremos também sobre periferia, relações raciais, e teremos nos próximos meses um especial Eleições 2020, começando na edição de hoje. Você pode assinar a Coluna de Terça através do link que está na nossa Bio do Instagram @colunadeterça. O mundo todo bateu ontem a marca de um milhão de mortos. Com muita tristeza, anunciamos que o Brasil é o segundo país no mundo em número de mortos. Até a manhã de hoje foram 142.162 mortes confirmadas por covid no país, um dado que nos coloca como o segundo país no mundo onde mais se morre por coronavirus. Infelizmente o Brasil não tem lidado da melhor forma com a pandemia. A necropolítica explica bem o que acontece no nosso e em outros países. Necropolítica é um conceito desenvolvido pelo filósofo, historiador e teórico político Achille Mbembe, que determina que “o poder social e político é usado para ditar como algumas pessoas podem viver e como algumas devem morrer.” Obviamente, esses marcadores de quem merece viver e quem morre diariamente obedecem alguns critérios. O primeiro deles é a raça, seguido por classe, gênero e etc. A Necropolítica explica porque as decisões relacionadas à sobrevivência e dignidade do povo preto e pobre sempre estão nas mãos de quem não é preto nem pobre. Só que a casa está caindo para muitos desses políticos que decidem quem deve morrer. Hoje uma operação da Policia Federal está sendo realizada em cinco estados – Mato grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná e São Paulo. No total são 278 mandados de busca e apreensão e 76 de prisão temporária, além do sequestro de bens e valores. O Governo do Pará é destaque da operação, e o gabinete do Governador Helder Barbalho (MDB) recebeu a ilustre visita da Policia Federal, que cumpriu 12 mandados de prisão temporária e 41 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça para o estado. Os crimes investigados são fraude em licitações, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a PF, a investigação mira 12 contratos firmados entre o governo do Pará e organizações sociais para administração de hospitais públicos do Pará, inclusive os hospitais de campanha criados por conta da pandemia do coronavírus. Os contratos somam R$ 1,2 bilhão em contratos firmados entre agosto de 2019 e aio de 2020. Foram presos nessa manhã o secretário de transportes do estado, Antonio de Pádua, o ex-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro e atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará, Parsifal Pontes, e o assessor especial do governador, Leonardo Maia Nascimento. Esperamos que as investigações continuem e que todos esses crimes sejam apurados e os responsáveis sejam punidos, principalmente saindo da vida pública. Nós merecemos bons governantes. Já é sabido que a família Bolsonaro gosta de fazer transações financeiras usando dinheiro vivo. Segundo relatório do Ministério Público sobre as rachadinhas, o senador Flávio Bolsonaro teria movimentado cerca de R$2,7 milhões de reais em espécie, no esquema de rachadinhas. O Ministerio Publico do Rio de Janeiro deve indiciar o senador Flavio Bolsonaro (Republicanos) e também seu ex-assessor Fabrício Queiroz, por crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Além de Queiroz, outros 23 assessores parlamentares são citados no relatório do Ministerio Publico. A investigação encontrou ainda transferências e depósitos nas contas de Márcia Aguiar, Nathália e Evelyn Queiroz, mulher e filhas de Queiroz. Vamos falar sobre Eleições 2020? Segundo o Tribunal Superior eleitoral, o número de policiais civis, militares e de membros da ativa e da reserva das Forças Armadas que se candidataram neste ano é o dobro do registrado nas eleições municipais de 2016. Esse é um movimento que acompanha a estruturação da gestão de Bolsonaro no governo federal. A presença de militares no governo antes era restrita ao Gabinete de Segurança Institucional, ao Ministério da Defesa e Vice-Presidência, porém hoje integrantes das três Forças Armadas estão em postos de relevância de ao menos 18 órgãos, incluindo Saúde, Economia e Educação. Essa política de oferecer cargos de gestão pública a pessoas da segurança pública é uma das características do militarismo, que nos coloca no caminho da ditadura militar. Usar os meios democráticos para exercer o militarismo é uma artimanha que infelizmente tem dado certo no país, e contra o qual precisamos lutar. A melhor forma de combater o militarismo nas instituições é primeiramente entender o papel das forças armadas e dos órgãos de segurança pública em suas áreas. Não faz sentido colocar funcionários das forças armadas em áreas civis como a saúde, a educação e o meio-ambiente, por exemplo. É necessário estarmos muito atentos às formas que o militarismo usa para sobrepor seus privilégios sobre a população civil. Encerrando as notícias de hoje, a economia brasileira está indo de mal a pior. Ontem o Governo federal anunciou o programa Renda Cidadã, um substituto do Bolsa Família que deve ser financiado com recursos da educação. O anúncio feito pelo presidente Bolsonaro e seus ministros gerou impactos no mercado, que reagiu com alta do dólar, que fechou o dia em R$5,63 ontem. As reações ao anúncio não são das melhores, a Ordem dos Advogados do Brasil se manifestou em seu twitter afirmando que “A OAB Nacional, por meio da sua Comissão Especial de Precatórios, alerta sobre a proposta inconstitucional e de efeitos danosos apresentada nesta segunda-feira (28) pelo governo federal sobre a utilização dos precatórios no financiamento do Renda Cidadã. A Ordem reitera que o @STF_oficial já declarou inconstitucional duas vezes a ampliação do prazo para entes que estavam inadimplentes. Destaca ainda que a proposta é injusta socialmente e que traz uma enorme insegurança jurídica.”. O relator da PEC do Fundeb no Senado, Flávio Arns (PR/Podemos), disse que a proposta do governo de usar recursos do Fundeb no Renda Cidadã "é um absurdo". "A área econômica precisa começar a entender que o desenvolvimento tem que estar baseado na educação do povo. A educação tem que ser priorizada. E para ser prioridade, a educação precisa de orçamento", disse Arns. O desmonte da estrutura de gestão pública pelo governo Bolsonaro não para. Querem destruir o SUS, destroem nossas reservas naturais, desmontam a educação, prejudicam a cultura. Bolsonaro e seu desgoverno estão destruindo o país, e nós não podemos assistir a tudo isso quietos. A principal reação deve ser nas urnas, nas eleições municipais. Não eleja políticos da base do presidente. Pesquise e vote em quem tem responsabilidade social. Essas foram as notícias de hoje, eu sou Preta Barros diretamente da Bahia, e a gente se encontra aqui amanhã!