
Quando esta frase contraditória me ocorreu subitamente, pensei se tratar de algo impossível na prática – pois como poderia uma pessoa ser uma boa gestora e péssima nos negócios? Eu trabalho em uma empresa que auxilia pessoas a desenvolverem o raciocínio crítico aliando-o ao método científico. Fazemos as pessoas criarem soluções, resolverem problemas, melhorarem processos e produtos... O desenvolvimento do profissional no estágio inicial é obviamente lento e difícil de ser identificado, mas logo que este começa a colocar em prática os conceitos, os resultados começam a aparecer e ele começar a revelar seu potencial. Perceba que por enquanto chamo de potencial, que é algo que pode vir a ser, ou seja, uma promessa. Mas esta promessa é baseada em algo que o profissional já mostrou. Pouco, mas mostrou, então é fundamentada. Aqui entra o gerente tradicional, ou o chamado ótimo gerente. No momento em que a empresa passa por um momento de crise, que atualmente é bem comum, a presidência manda cortar custos (“manda quem pode, obedece quem tem juízo”). E o bom gerente, observando todos seus indicadores – com frequência muito mais do que ele realmente precisa observar – começa a “cortar cabeças”, começando por aqueles que têm salário “maior do que deveriam”, porque a redução de 10% dada como meta precisa ser alcançada. E de fato, como ele é um ótimo gerente, ele entrega 12% no mês, porém se esquece de que TODOS os indicadores em que ele se baseia para justificar seus cortes em despesas apenas refletem o passado. Nenhum indicador que o ótimo gerente olha reflete futuro. Ele dirige olhando pelo retrovisor. O homem de negócios sabe que ganhos passados não refletem ganhos futuros. Sabe que o que funcionou até agora pode não funcionar no futuro. Sabe que as ações tomadas para remediar esta crise dificilmente funcionarão com a mesma eficácia para remediar a próxima e certeira crise.