
Em Freud vemos o sonho enquanto um exemplo privilegiado de um processo primário, pois ele é acompanhado de uma diminuição das necessidades físicas e por um desligamento daquilo que possa vir a ser externo. Freud usou os sonhos como ponto de partida para as associações livres que conduziam até as ideias inconscientes que se ocultavam atrás de sintomas e sonhos. Os sonhos retomam impressões de dias anteriores e têm a sua disposição os fatos mais primitivos de nossa infância, que ainda estão latentes em nosso inconsciente. Além disso, conforme afirma Freud, sua essência é a de um desejo reprimido. Contudo, existem processos que dificultam que nos lembremos o conteúdo dos sonhos, bem como que os percebemos sem deformações. Dessa maneira, nem todos os sonhos são possíveis de serem interpretados. Outra importante sinalização a ser feita é que a interpretação dos sonhos envolve alguns preceitos técnicos. Em “Observações sobre a teoria e a prática da interpretação de sonhos” (1923 [1922]), Freud apresenta quatro procedimentos distintos para se analisar os sonhos de analisandos/pacientes/clientes que discutimos neste episódio.