
CINCO CONSIDERAÇÕES DO SÁBIO A RESPEITODA RIQUEZA QUE UM HOMEM PODE VIR A ACUMULAR TEXTO A forma como um homemencara a questão das riquezas materiais diz mais sobre ele do que ele mesmopode imaginar. A extensão deste assunto nas sagradas Escrituras é umademonstração de quão seriamente esta questão deve ser encarado pelo ser humano,e de quão profundamente as riquezas terrenas podem escravizar a alma humana. Encontramos no livro deEclesiastes precioso ensino quanto a este tema, tratando a questão das riquezasterrenas a partir de três verdades básicas: a riqueza terrena é um valortransitório, inconfiável e que transmite uma falsa noção de segurança. O quintocapítulo deste livro nos apresenta seis razões que servem para reforçar estasverdades, e faremos bem em dar ouvidos a elas. A primeira destas verdades é que riqueza terrena alguma é capaz desatisfazer a alma humana, como lemos no versículo dez “Quem amar odinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca sefartará da renda; também isto é vaidade” (Eclesiastes 5.10). Não há quantidade dedinheiro, bens ou posses que faça uma pessoa satisfeita, pois a alma humanasempre desejará mais. Encontramos a razão desta verdade na insaciável concupiscênciados olhos, como citada pelo apóstolo João. A segunda verdade que encontramos noquinto capítulo do livro de Eclesiastes nos ensina que junto com as riquezasque uma pessoa acumula são acrescentadas responsabilidadesadicionais a vida, como vemos no verso 11 “Onde os bens se multiplicam, ali se multiplicamtambém os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donosdo que os ver com os seus olhos?” (Eclesiastes 5.11). A tendência humana é pensar que o acumulo de bensmateriais lhe trará a desejada tranquilidade, porém o caso citado neste texto mostra que, embora possua mais bens, ele teráque arcar com situações que antes não vivenciava. A terceira verdade reveladapelo sábio encontra-se no verso 12, ao dizer que junto com as riquezas advémtambém preocupações “Doce é osono do trabalhador, quer coma pouco quer muito; mas a fartura do rico não odeixa dormir” (Eclesiastes5.12). A falta de sono do homemabastado pode ser resultado de seu temor de ser roubado e desprovido de seusbens, ou mesmo consequência das acusações de sua consciência devido a crimesque tenha cometido a fim de proteger seu patrimônio. A quarta verdade demonstraque riquezas também podem potencialmente atrair danos e enfermidades nãodesejadas “Há um gravemal que vi debaixo do sol, e atrai enfermidades: as riquezas que osseus donos guardam para o seu próprio dano” (Eclesiastes 5.13).O homem pensa nas riquezas como algo que vai ajuda-lo, mas no fim podevir a descobrir que estas mesmas riquezas trouxeram sobre ele males que oprejudicaram severamente. A quinta verdade revelada pelo sábio diz respeito aofato que os bens materiais terrenos não são garantia que a descendência de umhomem não terá problemas futuros “Porque as mesmas riquezas se perdem porqualquer má ventura, e havendo algum filho nada lhe fica na sua mão” (Eclesiastes 5.14). É importante considerar que bens terrenos podem ser ganhos e perdidos com muita facilidade, e aquiloque o homem confiava para garantir a segurança de seus descendentes podedesaparecer em um instante. A sexta e última verdade revelada pelo sábio noslembra que riquezas terrenas não nos acompanham a eternidade “Como saiudo ventre de sua mãe, assim nu tornará, indo-se como veio; e nadatomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão” (Eclesiastes 5.15), ou seja, tanto nonascimento quanto na morte o ser humano é resumido ao absoluto nada. Quão importante é que noslembremos da exortação do Mestre quanto a esta questão “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porquea vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lucas 12.15).