
Vivemos mesmo com pressa ou aprendemos a usar a pressa como uma desculpa para não parar? Neste episódio, falo sobre slow living, produtividade consciente, descanso sem culpa e sobre a forma como tantas vezes fabricamos uma urgência que não existe. Corremos de tarefa em tarefa, respondemos a mensagens fora de horas, comemos de pé e enchemos a agenda. Por fora, parecemos muito ocupados. Por dentro, talvez estejamos apenas a evitar uma pergunta, uma emoção ou uma decisão que precisa de silêncio. Setembro é o ponto de partida desta reflexão. Depois das férias, regressamos com a cabeça mais leve e com vontade de recuperar tudo o que ficou por fazer. Queremos compensar os dias de descanso, resolver assuntos acumulados e voltar rapidamente ao ritmo anterior. Mas começar logo a correr pode apagar, em poucos dias, a serenidade que trouxemos connosco. A pressa promete eficiência, mas muitas vezes entrega cansaço, menor qualidade e tarefas que precisam de ser repetidas. A partir do Monte das Lages, no Alentejo, observamos um ritmo diferente. Na natureza, cada coisa acontece no seu tempo. Há a vindima, a preparação da terra, a sementeira do feno, o nascimento dos bezerros e até os cuidados inesperados com um touro que precisava de tratar os cascos. Nada disto pode ser acelerado sem consequências. A terra não responde à impaciência. Os frutos colhidos antes de amadurecer sabem a verde e o mesmo acontece com ideias, projetos, relações e conversas importantes. Ao longo deste episódio, exploramos várias perguntas:Porque sentimos que temos sempre de fazer mais? Quem decidiu que tudo tem de ser feito depressa? A pressa nasce de uma necessidade real ou de uma comparação silenciosa com os outros? Estaremos a correr em direção a alguma coisa ou a fugir daquilo que nos incomoda? Este episódio ajuda a reconhecer alguns sinais de uma vida vivida em modo de urgência: tomar café sem o saborear, comer à pressa, saltar de compromisso em compromisso, responder a emails às onze da noite e confundir uma agenda cheia com competência.Estar ocupado não significa necessariamente estar a avançar. Por vezes, significa apenas que não deixámos espaço para pensar. Também falamos sobre o valor da maturação. Decisões difíceis, amizades que precisam de ser reconstruídas, conversas delicadas e ideias de negócio não se resolvem bem à pressa. Precisam de tempo, presença e profundidade.Quando antecipamos a colheita, o resultado pode parecer pronto por fora, mas ainda não ganhou consistência por dentro. No final, proponho um exercício simples para trazer mais vagar ao quotidiano. Escolha um dia e escreva três tarefas que sente que tem de fazer depressa. Antes de começar cada uma, pare e pergunte:Preciso mesmo de correr?O que acontece se der mais tempo a esta tarefa?Como me sinto quando a realizo a um ritmo mais humano? No fim do dia, observe se fez menos, se fez pior ou se, pelo contrário, conseguiu fazer com mais atenção e menos desgaste. Não é necessário mudar a vida inteira de uma vez. Talvez baste interromper a corrida durante alguns minutos e espreitar aquilo que existe para além dela. Se esta conversa lhe trouxe alguma clareza, siga o podcast, partilhe o episódio com alguém que vive sempre a correr e conte-nos: A sua pressa é real ou tornou-se um hábito? Site Instagram Facebook Newsletter Linkedin