
A VISEIRA "Escuto o trovoar do alto estandarte? O que queres?" - Disse o Tempo. "Quem muda o caminho das ovelhas?" disse o Ideal ao Tempo - "Não podem descobrir que sou carne, que sou o abismo, que servem a mim!" "Suponho que você queira realoca-lo – Disse o Tempo. Eu só os faço seguir. - Já o vejo! Eis o desvirtuoso." - Disse apontando para as colinas. Vislumbrando o múltiplo estava a alguém, com sua viseira quebrada, mudando o curso do bando, chamando-os para o novo. O ideal some de vista no horizonte. O bando para, ajoelha-se. Com vestes douradas, o Ideal se aproxima do desordeiro. - Sabe que o tempo desgasta suas coisas. O humilde homem mantém-se prostrado. O Ideal troca as viseiras com delicadeza e palavras doces. Diz: "Te tirei do grande perigo. Grande perigo! Volte agora meu Universo.". Volta ao horizonte. O bando volta a caminhar em direção ao seu brilho O Ideal sussura para o Tempo. - Dá a ele um relógio dourado e afrouxa no punho dele seu ritmo. - A bateria acaba, diz o Tempo com um leve sorriso. - Eu troco, replica o Ideal. O Tempo então segue com sua viseira de pulso. A observa e pensa: “Dura como o ouro, sangra a cada segundo.” O Tempo ri encarando o brilho, estático e ignorante acerca de que com o bando, o Tempo caminha até ele. “Que divertido é o Ideal. Sangra, e molda humanos.” Artur Uchôa