
AMIZADE Juliana achava o amigo do marido curioso. Despertava nela coisa nova e instigante. Recém-chegado do exterior, tinha um humor que ela nunca tinha visto. O Getúlio, seu marido, até a fazia rir, mas era com bobeiras macaqueadas, nada literal. Artur falava diferente, usava palavras que embora ela nunca tenha ouvido eram aprendidas. O contexto delas explicitava o seu sentido. Era mágico. Tinha até que vigiar pra não demonstrar essa empatia exagerada que sentia. Outro dia sonhou com ele e ficou em pânico por ter talvez dito seu nome ao lado do marido na cama. Que nada. Getúlio roncava profundamente. Essa fascinação acabou sendo percebida por Artur, que, o que antes espalhava seu carisma ao acaso, agora dirigia e apontava para a pobre recém casada esposa do amigo. Não demorou para que acidentais contatos físicos fossem provocados. Hora era um buscar de copo enquanto a outra cuidava da pia. Hora na cruzada de um com outro num corredor apertado que o um seio resvalava no braço. Não demorou a que as visitas ao acaso, estrategicamente na ausência de Getúlio acontecessem. Um beijo, não é nada, uns amassos, passável, beijinho no seio, um erro que ficando nisso se diluiria no tempo. Uma distração, uma fraquejada, nada. O tempo passa. Nasce o primeiro filho de Juliana. A cor e a cara de Getúlio. Artur é obviamente convidado a ser padrinho. Fbarella