Por que o PCC e o Comando Vermelho dominam territórios inteiros, aterrorizam populações e mesmo assim o Brasil hesita em chamá-los de terroristas? Neste Mesa para Dois, o Estúdio 5º Elemento debate o que é, de fato, o terrorismo, e por que essa palavra incomoda tanta gente. A conversa parte da definição: terrorismo como o uso (ou a ameaça) intencional da violência para gerar pânico e controlar territórios, seja por motivação política, religiosa ou econômica. A partir daí, a dupla discute por que a lei brasileira tende a reconhecer terrorismo apenas quando a motivação é política, o impasse em torno da classificação das facções como organizações terroristas, a tentativa de Flávio Bolsonaro de enquadrá-las, o modelo de Nayib Bukele em El Salvador e a classificação dos cartéis como narcoterroristas pelos Estados Unidos. No fundo, é também um mergulho no próprio conceito de horror; de Hannah Arendt e o terror dos Estados totalitários ao "o horror, o horror" de Kurtz, em O Coração das Trevas. Porque por trás de toda facção que aterroriza para controlar existe o mesmo espírito totalitário, e a diferença entre terrorismo, guerrilha e insurreição é o que separa a luta legítima do massacre de inocentes. Um debate sobre crime, Estado paralelo, controle da linguagem e os limites morais que nenhuma causa justifica romper. Compartilhe com quem prefere chamar as coisas pelo nome. Com Carlos de Freitas e Joel Gracioso.