
Episódio
Isto hoje é um curto-circuito entre biografia, mito e sobrevivência artística. Victor Torpedo, figura central da cena rock de Coimbra desde os anos 80, passa por tudo: dos Objectos Perdidos aos míticos Tédio Boys, dos The Parkinsons aos projetos mais recentes como Pop Kids e 5ª Punkada. Pelo meio, acumula guitarras, discos, caos criativo e uma ideia muito própria de criação artística — um tal de “Acidentalismo”. A conversa vai entre a memória crua dos anos 80/90 em Coimbra, as influências (The Clash, Cramps) e a crítica à indústria musical atual. Há também a máquina criativa em modo compulsivo: 12 álbuns em 12 meses, gravações feitas numa manhã e a recusa total do romantismo do “artista em retiro espiritual”. No fundo, fica o retrato de alguém que nunca saiu verdadeiramente da urgência — nem da cidade, nem da música, nem da invenção permanente. E talvez seja isso: mais do que carreira, isto parece um sistema operativo próprio a correr há 40 anos, em 24/7, numa cidade sem ritmo para o acompanhar.