
Imagine você em um espaço com todos os seus objetos: da escova de dentes à bicicleta, tudo aquilo que você diz: “é meu!” Façamos o mesmo exercício na perspectiva de um caçador coletor que andava alguns quilômetros por dia e não podia arrastar muita coisa consigo. Objetos significava peso e menos agilidade. Ficava, portanto, apenas o essencial. Somos todos, em alguma medida, acumuladores. Ter algo novo, mesmo que por algumas horas, nos distrai e acalma. Talvez a cultura do recusar, pensar e dizer: “eu não preciso”, “eu já tenho”, “obrigada! o meu ainda serve”, seja um dos ensinamentos mais urgentes e necessários para o século XXI. Sobram-nos maquiagem, peso, poluição visual e auditiva. Estamos carentes de leveza, inteireza e silêncio. Esse caminho não requer consumo. Pensando bem, temos muito mais coisas, objetos e programas aguardando nossa sábia recusa.