
E com o retorno das aulas nas escolas municipais alguns prefeitos, em conluio com vereadores, ressuscitaram o tradicional esquema de compra, troca e negociatas de voto que vai muito além do que muitos possam imaginar. O criminoso esquema é incrementado nas mais diversas modalidades de crimes, como formação de quadrilha, contratações irregulares, falsidade ideológica e improbidade administrativa. O esquema apelidado de “professor fantasma” envolve professores concursados e pessoas que na maioria das vezes nem sempre possuem habilitação para estarem numa sala de aula. Justamente aproveitando a falta de professores, alguns prefeitos têm autorizado vereadores de confiança, os populares “vereadores da cozinha”, recrutarem pessoas de famílias numerosas – ou melhor, eleitores que também sejam de confiança – para trabalharem como professores. Para isso os “eleitores” devem ter concluído o magistério, o que os torna teoricamente aptos para lecionarem no Ensino Infantil, ou seja, em creches e pré-escolas, embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) recomenda que a formação de professores seja em nível superior. Outros “eleitores” convocados são os que concluíram pedagogia (creche, pré-escola e Fundamental I (1º a 5º Ano). Após a certeza que tais “eleitores” estão aptos para o trabalho, começa aí o esquema do “professor fantasma”, que envolve diversas prefeituras alagoanas, muitas das quais no Sertão, onde a carência de professor é muito grande. A segunda parte é convencer um professor concursado deixar de ensinar. Isso mesmo. Ao profissional é garantido que ele ficará em casa, recebendo o salário normalmente, sem nenhum desconto. Após o professor aceitar entrar no esquema, ele fica sabendo que sua carga horária, de 20 horas, passará para 40, se comprometendo no dia que receber o salário ter que dividir com o eleitor que ficou em seu lugar que por sua vez é obrigado dividir o dinheiro com o vereador que lhe indicou. Mais em alguns municípios a metodologia do crime é quase imperceptível. Temendo serem descobertos, professores passaram a receber 40 horas trabalhando só a metade. O esquema é que parte do salário recebido é dividido com algum vereador que lhe concedeu a vantagem.