
Bem, você já percebeu que durante a pandemia tudo aumentou de preço. Na verdade, cada vez que voltamos a feira ou ao mercadinho, o que compramos antes, já está mais caro. Até o ovo está absurdamente caro. Porém, um item, aqui em Alagoas, diminuiu de preço ou pelo menos não aumentou. São as armas de fogo. Pasmem. O que serve para matar, está barato. E essa situação é porque o nosso estado tem hoje o menor ICMS de armas de fogo do Brasil. Apenas 12%. A alíquota é menor do que se cobra nos preços das roupas, calçados, alimentos, combustíveis e por aí se vai. Baratear os preços das armas de fogo em Alagoas só foi possível através de uma lei do deputado estadual e bolsonarista de carteirinha, o Cabo Bebeto (PTC). Como detalhe essa lei foi promulgada em dezembro de 2020 pelo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor, ou seja, não precisou ir para o governador sancionar ou desaprovar. E graças ao nosso deputado, Alagoas prepara-se, literalmente, para uma guerra. Pelo menos é o que parece. No ano passado, aproveitando-se da queda nos preços das armas de fogo e enquanto a maioria lutava contra a Covid, muitos de nós alagoanos fomos às compras e nos armamos. Enquanto eu e você, consumidores, pagamos 29% do imposto estadual (ICMS mais Fecoep) pela gasolina, 31% por cigarros ou joias, 27% por bebidas, inclusive aguardente e 30% por planos de celular, agora, para se comprar uma arma em nosso Estado só se paga 12% de ICMS. E os números impressionam. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública comprovam que em Alagoas o registro de novas armas aumentou 691,3%. Foram 7,11 vezes mais do que a média do crescimento registrado em todo o Brasil. Em 2019, foram feitos 1.114 registros de armas novas em nosso Estado e no ano passado foram 8.815 novos registros. Em números absolutos, Alagoas foi o décimo Estado que mais registrou armas no Brasil, mesmo tendo uma das menores populações do Brasil. No Nordeste, só Bahia, que tem população 5 vezes maior, teve registro ligeiramente maior (8.845).