
Tradução Venerável Tenzin Kunsang Lama Zopa Rinpoche inicia este ensinamento, gravado em 16 de dezembro de 2020, no Monastério de Kopan no Nepal, repassando o primeiro ponto dos quatro pontos vitais de análise apresentados em Liberação na Palma de Sua Mão por Phabongkha Rinpoche. O primeiro ponto desta meditação analítica sobre a vacuidade é o reconhecimento do objeto a refutar, o gag ja em tibetano. O comentário de Phabongkha Rinpoche cita o Bodhicharyavatara de Shantideva: Sem reconhecer a coisa que é imputada, Não se pode realizar a sua não-existência. Rinpoche então explica que é como tentar acertar um alvo com uma flecha. Sem ver o alvo, não se pode apontar a flecha para o alvo. Ou seja, é preciso reconhecer exatamente o que deve ser negado -- o que se está imputando como existente, mas que não existe verdadeiramente -- para ver que não existe pela sua própria natureza, que não existe por si só. O comentário continua afirmando que só ouvir uma explicação do eu a ser negado não é suficiente. É preciso verificar que o eu, o objeto a ser refutado, através da sua própria experiência; você próprio deve reconhecê-lo. Se não reconhecer o objeto a ser refutado, você pode cair no niilismo, pensando que nada existe. Lama Zopa Rinpoche tem uma longa discussão sobre este perigo do niilismo, perguntando: Se acreditamos que nada existe, como conseguimos e cozinhamos a comida? Como vamos ao banheiro? Como é que discriminamos entre o que é e o que não é um vaso sanitário? O que é comida e o que não é? Se nada realmente existir, podemos começar a comer o cocô do banheiro! Algumas pessoas sem o mérito de compreender os ensinamentos passam a vida inteira meditando no niilismo. Rinpoche discute então as três maneiras de sustentar o eu e comenta cada uma delas: 1. O modo como o eu é sustentado por aqueles que realizaram a visão correta; 2. O modo como o eu é sustentado por seres comuns cujo contínuo mental não é afetado por dogmas; e 3. O modo como o eu é sustentado por aqueles cujas mentes estão alucinadas. Rinpoche explica também que é necessário diferenciar entre as duas maneiras como o eu aparece: 1. O modo como o eu parece existir a partir do seu próprio lado, por si só, por sua própria natureza, e 2. O modo como o eu aparece. O modo como o eu aparece para o apego ao eu inato torna-se clara quando se é elogiado ou criticado, explica Rinpoche. Por exemplo, quando se é falsamente acusado de roubo, o pensamento de "eu", que surge solidamente e não consegue tolerar a acusação é o modo como o objeto a ser refutado aparece. Esta é a aparência do gag ja, o eu não-existente, ou falso. Rinpoche apresenta dois novos bichos de pelúcia do Dharma que têm as seguintes mensagens: Coelho: "Fico com raiva, mas tento praticar a paciência. Ha! Ha! Ha!". Gato: "Sou o gato mais bonito do mundo, mas as pessoas não me amam, por isso pratico a compaixão por eles. Ha! Ha! Ha!"