
Você volta ao Brasil e percebe que alguma coisa mudou. Reconhece a língua, os lugares, os afetos, as memórias. Mas já não ocupa aquele espaço exatamente da mesma maneira. Então retorna ao país onde vive hoje. Retoma a rotina, o trabalho, os caminhos conhecidos. Sabe funcionar ali. Mas talvez ainda não consiga chamar aquele lugar de casa. E surge uma pergunta difícil: “Se eu já não sou completamente de lá e também não me sinto daqui... onde eu existo?” No quarto episódio da Temporada 5 do Em Trânsito, seguimos pelo Modelo Bidimensional de Aculturação de John W. Berry para conversar sobre uma experiência associada à marginalização, quando há pouco vínculo tanto com a cultura de origem quanto com a cultura receptora. Mas este episódio vai além do conceito. Falamos sobre a solidão particular de viver entre culturas e sentir que nenhuma delas consegue reconhecer completamente quem você se tornou. Sobre voltar e ouvir: “Você mudou.” E permanecer fora sendo lembrado: “Você é estrangeiro.” Sobre a diferença entre ainda não ter construído pertencimento e começar a acreditar: “Eu não pertenço a lugar nenhum.” Porque, em alguns momentos, uma experiência cultural também pode encontrar histórias emocionais muito anteriores à migração. A sensação atual de ser estrangeiro pode tocar memórias antigas de inadequação, rejeição ou de nunca ter encontrado completamente o próprio lugar. 🎧 Neste episódio, conversamos sobre marginalização, identidade intercultural, solidão, vínculos, retorno ao país de origem, pertencimento e as marcas psicológicas de viver entre mundos. E talvez a pergunta mais importante não seja mais: “De onde eu sou?” Mas: “Onde consigo existir sem precisar diminuir partes de mim?” Talvez casa não seja apenas o lugar para onde você volta. Talvez seja também aquilo que você consegue construir. 🎙️ Em Trânsito | Saúde mental para a vida nômade Temporada 5 • Entre dois mundos Pertencer não é escolher um lado. É construir espaço para tudo aquilo que você se tornou.