
E se você não precisasse mais provar a ninguém a qual lugar pertence? Você saiu do Brasil. Construiu uma vida em outro país. Aprendeu novos costumes, desenvolveu relações, enfrentou perdas e descobriu possibilidades que talvez nunca tivesse imaginado. Mas algumas perguntas podem continuar acompanhando você: “Será que estou deixando minhas raízes para trás?” “Se eu decidir permanecer aqui, estarei abandonando alguma parte da minha história?” “E se eu voltar ao Brasil, conseguirei reencontrar a vida que deixei?” Às vezes, o maior desafio não está em escolher entre dois países. Está em compreender quanto das nossas decisões nasce dos nossos desejos e quanto ainda é conduzido pela culpa, pelo medo de decepcionar ou pela necessidade de continuar sendo reconhecido pelas pessoas que amamos. No último episódio da Temporada 5 do Em Trânsito, encerramos nossa jornada pelo Modelo Bidimensional de Aculturação de John W. Berry, ampliando a reflexão sobre identidade, pertencimento e continuidade psicológica na experiência migratória. Porque preservar nossas raízes não significa permanecer iguais. E construir novos caminhos não exige apagar aquilo que vivemos. 🎧 Neste episódio, conversamos sobre: As lealdades familiares que podem influenciar decisões de permanecer no exterior ou retornar ao Brasil. A diferença entre preservar tradições por escolha e mantê-las por medo de perder o pertencimento. A idealização do retorno e a expectativa de reencontrar uma vida que também mudou. A pressão para demonstrar fidelidade à cultura de origem e competência na sociedade receptora. A importância do reconhecimento social e das oportunidades reais de participação na construção do pertencimento. Como transformar experiências migratórias em escolhas mais conscientes para o futuro. Existe uma pergunta que atravessa todo este encerramento: O que você continua preservando porque faz sentido para sua vida e o que mantém apenas porque teme deixar de ser reconhecido como parte de algum lugar? Talvez a resposta não esteja em escolher definitivamente entre permanecer ou voltar. Talvez esteja em reconhecer que sua história pode continuar tendo valor mesmo quando seus caminhos mudam. Suas raízes contam de onde você veio. Mas não precisam determinar até onde você pode chegar. E, para encerrar esta temporada, deixo uma última pergunta: “Se você não precisasse provar a ninguém a qual lugar pertence, que vida escolheria construir a partir de agora?” 🎙️ Em Trânsito | Saúde mental para a vida nômade Temporada 5 • Entre dois mundos Episódio 8 | Encerramento da temporada Obrigada por acompanhar estes oito encontros sobre identidade, aculturação e as diferentes formas de construir pertencimento entre culturas. Pertencer não é escolher um lado. É construir espaço para tudo aquilo que você se tornou.