
Viver no mundo moderno, sem barreiras protetoras contra a avalanche de negatividade é como andar de olhos vendados. A qualquer momento o telemóvel vibra e rouba-nos a paz interior. Para evitar sermos atropelados pela atualidade, o estoicismo ensina-nos a criar filtros. A biologia dispara o alarme, através da química do medo, mas é a consciência que permite pausar e não alimentar essa resposta química com pensamentos catastróficos. O alarme do nosso corpo está descalibrado. O cérebro lança água para todo o prédio só porque detetou uma torrada queimada. Já que a nossa genética não acompanha o ritmo tecnológico, a intervenção mental é a única ferramenta que nos pode ajudar. Perante uma notícia alarmista, a filosofia, antes que o pânico inunde todo o edifício, dirige-se ao painel de controlo, insere o código e silencia a sirene. Compreende que é apenas uma torrada queimada e não uma ameaça real. O estoico não tenta impedir o susto inicial de uma má notícia, pois não controla o primeiro pensamento, mas é responsável pelo segundo e pelo terceiro. Aplicar filtros no momento certo não é fácil. É como aprender uma nova língua, correr uma maratona, perder peso de forma saudável ou falar em público com confiança. Exige grande controlo emocional. Contrariar impulsos requer treino constante, esforço diário e muita atenção sobre os próprios pensamentos. O mundo pode ser difícil, mas governar a própria mente é que exige verdadeiro esforço. Ao nos deparamos com uma má notícia, perguntamos: Esta informação tem um impacto relevante na minha vida? Posso fazer algo para melhorar a situação?