
Cabelos desgrenhados, lençóis e fronhas desconjecturados, o cheiro de corpos suados, mesclados com látex e lubrificante; queria que o sexo fosse mais poético, mas na falta do edificante, escrevo a crueza que cabe no papel: a irretirável pregnância do sêmen que gera fetos, gruda na pela, mancha os tecidos e empesteia o ar; a hipocrisia que nos propicia os hormônios, de noite casal, de manhã dois estranhos que querem se livrar um do outro, a nudez compartilhada, vira nu vergonhoso, na destransparência dos lençóis se esconde o corpo a quem se o deu; são os efeitos da intimidade migrante que permeia o sexo ocasional; dois desconhecidos que se cumprimentam pelos genitais; fossem mais que um o reflexo do desejo do outro, necessidades rebatidas, saciadas ou insaciáveis vontades carnais, seriam fontes de calor que não se apagariam jamais