
Ler Alberto Caeiro para meu pai foi catártico: ele chorou muito de um lado, eu chorei muito do outro. É possível, inclusive, me ouvir chorando muito no áudio - algo que me recusei a editar. Este pseudônimo de Fernando Pessoa é o que é: sem metáforas ou meias palavras. Esta simplicidade e obviedade, que aparecem implícitas nos versos para mim, é o que há de mais emocionante. Principalmente nesta fase de repensar o que concebemos como fé, ainda mais depois do episódio do meu pai com a doença, essa jornada lá é cá, o medo da perda, a confusão do retorno... Quantas vezes a gente se emociona com a simplicidade? Pra que complicar a existência de um Deus se ele é natureza? Se ele é natureza, porque chamá-lo de Deus? Lembrando: são minhas reflexões e leituras, e eu adoro escutar visões diferentes. O poema pode ser acessado gratuitamente na Amazon, ou lido na coletânea "Ficções do Interlúdio", junto com os outros pseudônimos de Pessoa. Recomendo adquirir o box completo da editora Novo Século: muitos destes escritos me fizeram companhia na minha viagem para Portugal, o que enriqueceu minhas vivências.