
Eu sou a Monstra. Procuro o Daniel Para desenhar comigo A Monstra no papel. Eu sou assim? A bruxa do mato Montada num cavaco? Ou sou assado? Gorda e assustada Como a porca no prato? Sou comprida e fina Um arame ou lombriga? Ou sou estufada Igual a minha barriga? Ou sou só monstrenga Quando quero briga? Eu sou a Monstra De muitas caras. Tenho mil capas. Posso ser roseira Posso ser sucata. Posso ser rainha Posso ser vassoura Posso ser um corvo E astronauta. Eu tenho um segredo: Eu tenho um amigo. E gosto tanto dele Como gosto dos dedos. Dos dedos? Pergunta o Sapo Esgoelando no lago. E a Monstra responde: Os dedos seguram canetas Batem nas teclas Escrevem poemas e cartas. E o que seria da Monstra De mãos amputadas? E o que seria da Monstra Se não fosse poeta Para brincar de medo De magia, de loucura E de dedo.