
Soneto da Traição Fulgurantes males a pousar suas asas derradeiras posto que nos bens que em todos os teus beijos suspirei Foram algozes dessa ventura que já refaz meus lamentos na insana carne ardente, os gemidos que já tarde entreguei. Às margens de um porto saudoso, tua farsa vindeira retumbando em meu firmado peito a voz de teus pensamentos e as ondas promessas a lastimar a força de minha armadura e a levantar o fio cortante que tem por nome encantamento. E me tem por terra as ninfas das sepulturas e os árcades de vastas letras celebrados baixo a pobre nobreza com toda sua loucura. Não se tornem embate dessa chaga desventura estes maus versos por eles lembrados a burlar guerreiro por cantar tão falsa ternura.