
Hoje em dia, fala-se muito de reinvenção, que por sua vez, é um tema recorrente em diversos setores da sociedade contemporânea, como o mundo corporativo, sessões de psicoterapia, revistas femininas e artigos de comportamento. É como se a "reinvenção" estivesse na boca do povo, ou sendo mais preciso, na boca de um povo mais chique, visto que você pode até mesmo encontrá-la no centro de discussões que se dizem filosóficas. A ideia de reinvenção, contudo, é muito mais presente no mundo feminino, visto que um homem heterosexual, caso decida se "reinventar" aos 40 anos, dificilmente encontrará uma mulher que vá bancar essa tal reinvenção. O caso contrário, contudo, em que um homem banca a reinvenção de sua mulher, é muito mais fácil de ser identificado. Isso acontece porque apesar de todo o blá-blá-blá contemporâneo, as mulheres, feitas algumas exceções, continuam não suportando homens que sejam frágeis para além da página três. Portanto, a ideia de reinvenção, por mais que esteja ligada intimamente a um discurso capitalista comportamental, em que tudo se transforma e evolui, é enganosa e não revela as faces mais dolorosas de mudança e transformação.