
Como se costuma dizer em História da economia: os últimos trezentos anos foram atípicos. O que alguém quer dizer quando fala isso? Quer dizer algo muito óbvio, mas que acabamos não percebendo no dia a dia. Os últimos trezentos anos foram tomados por uma lógica de produção em massa, pela Revolução Industrial e pela urbanização violenta. Além disso, como diria o historiador político francês Alexis de Tocqueville, em 1848, este período foi ainda acometido por "processos de revoluções e inquietação dos espíritos". Portanto, tudo isso fez com que a velocidade das inovações fosse cada vez maior, afetando o nosso cotidiano. Atualmente, devemos controlar e calcular tudo, além de possuir muitas métricas e metas por toda parte, em todas as idades. É claro que a tendência deste fenômeno social seja a produção daquilo que podemos chamar de "ansiedade a partir de marcadores sociológicos". Ou seja, com todas as exigências sociais que nos são lançadas, nós ganhamos a obrigação de sermos perfeitos em todas elas. Parte desta obrigação vem do que se pode chamar de "imperativo da autonomia", que junto da obrigatoriedade da eficácia e da felicidade, caracteriza a vida moderna e contemporânea. CITAÇÃO: Alexis de Tocqueville (1805-1859) - historiador político, historiador e escritor francês.