
Recentemente, muitos articulistas lamentam a possibilidade do Brasil estar vivendo um período de "autorização tácita" à uma corrupção sistêmica. Contudo, o horror em relação a essa questão beira o ridículo, visto que a corrupção sempre foi sistêmica. Durante muito tempo, a própria esquerda revolucionária entendia que a queixa em relação à corrupção era um comportamento típico de uma pequena burguesia, e que sua principal essência deveria ser o pragmatismo moral. O próprio Karl Marx pensava dessa forma. Em relação a esse tipo de comportamento, há até mesmo a expressão "humanismo burguês", criada para se referir à farsa sentimental da burguesia quando está ciente do falecimento de alguém. Desta forma, Marx não estava tão errado assim. Ainda mais considerando que essa farsa aparece em muita gente que fica chocada ao saber que acontecem guerras no mundo, enquanto aos poucos, a própria guerra na Ucrânia vai se tornando algo "entediante" aos olhos dessas mesmas pessoas, que logo secam as suas lágrimas e seguem os cursos de suas vidas com uma natural indiferença. De toda forma, a choradeira ao redor do fato da corrupção estar ganhando um novo salto em sua forma sistêmica no Brasil é uma palhaçada. Primeiro porque a corrupção sempre aconteceu no Brasil, assim como em muitos outros lugares do mundo. E segundo porque, na realidade, a corrupção é a regra, e não a exceção das sociedades e dos Estados. CITAÇÕES: Karl Marx (1818-1883) - filósofo, economista, historiador, sociólogo, teórico político, jornalista e revolucionário socialista alemão. Luiz Inácio Lula da Silva (1945) - ex-sindicalista, ex-metalúrgico e político brasileiro filiado ao PT que serviu como o 35° presidente do Brasil entre os anos de 2003 e 2010.