
O caso envolvendo a Jovem Pan e o TSE deu o que falar, e até o próprio New York Times levantou uma questão referente a isso. É claro que a Jovem Pan é uma emissora com um viés bastante simpático às pautas bolsonaristas, com análises e debates, principalmente durante o período da pandemia, que muitas vezes não condiziam com a realidade enfrentada pelo país. Neste sentido, grande parte das pessoas que trabalham na Jovem Pan sofrem do mal que assola a maior parte dos jornalistas, que entendem que suas funções são, na realidade, pregar o mundo que consideram o ideal. Mas será que o TSE, que censurou a Jovem Pan e determinou que seus funcionários não mais chamassem o ex-presidente Lula de "corrupto", vai também censurar todos os conteúdos que aproximam a figura de Bolsonaro ao fascismo e ao nazismo? Isso não tira o fato de que alguns discursos de Bolsonaro carregam um tom antidemocrático e anti-institucional, com uma falta de educação evidente e com um projeto que aparenta deixar o Brasil preso aos anos 70 da Ditadura Militar. Mas a partir do momento em que um órgão público impede que a Jovem Pan, no seu dia a dia, continue a falar coisas sobre Lula que atrapalhem a sua campanha, parece também haver aí um ar antidemocrático, por mais que este seja mais elegante e sofisticado. CITAÇÕES: Luiz Inácio Lula da Silva (1945) - ex-sindicalista, ex-metalúrgico e político brasileiro filiado ao PT que exerceu o cargo de 35° presidente do Brasil entre os anos de 2003 e 2010. Jair Bolsonaro (1955) - militar reformado e político brasileiro filiado ao PL que exerce atualmente o cargo de 38° presidente do Brasil desde o dia 1° de janeiro de 2019.