
Um tempo atrás, falava-se muito da Geração Milênio, que acabou ficando fora de moda. Provavelmente porque vários deles já tiveram filhos, já passaram por frustrações e já descobriram que a vida é um escândalo, no sentido de que se nutrir altas expectativas por ela, a chance de fracassar é muito grande. Uma pesquisa recente feita no Reino Unido - que aborda os temas do estresse e do "burnout"- diz ter descoberto que a maior parte dos estressados são pessoas que fazem parte da geração Z. Ou seja, pessoas que nasceram entre 1995 e 2007. Em cima dessas informações, surge o evidente questionamento. Afinal de contas, por que esses jovens estariam tão estressados? Confesso que guardo comigo um certo ceticismo em relação a essas pesquisas, pois apesar de servirem ao propósito de mapear a população e serem utilizadas como referências em trabalhos acadêmicos, elas também abastecem o mercado da saúde mental, seja no nicho psicológico ou sociológico. E o mercado da saúde mental, como sabemos, é uma das grandes fronteiras do capital neste século em que vivemos. CITAÇÕES E BIBLIOGRAFIA: Frank Furedi (1947) - sociólogo húngaro radicado no Canadá. Christopher Lasch (1932-1994) - historiador e crítico social nascido nos Estados Unidos. "A Cultura do Narcisismo: A Vida Americana em uma Era de Esperanças Decrescentes" - livro de Christopher Lasch publicado originalmente em 1979.