
#016 – Existe um conto de Borges que considero particularmente angustiante. Não sei se você conhece: é A biblioteca de Babel. Começa assim: "O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas." O universo é uma biblioteca – estamos sempre perdidos em uma rede infinita de referências. Com a idade, vamos perdendo a vista e o juízo. Quando perdermos a vista, "mãos piedosas" nos jogarão pela balaustrada. Mais que uma distopia, ou o lembrete inquietante da nossa impossibilidade de compreender a nossa existência, o conto é um lembrete das obras esquecidas. Já te aconteceu de se angustiar em ler tanto e esquecer tanto? Não sei se você se dedicou a uma pesquisa para um romance policial, histórico, ou para uma ficção científica, ou mesmo em sua tese, dissertação, peça de jornalismo literário ou ensaio, e neste processo, sentiu que os instrumentos que usamos como complemento aos limites de lembrança e esquecimento do cérebro também são desorganizados e insuficientes. Será que devemos confiar tanto assim na memória quando preparamos um texto? Ou na capacidade rememorativa/associativa de um brainstorm? Esta semana, no Prelo, apresento um método que tenho utilizado há alguns meses e tem revolucionado o meu modo de ler, de escrever e de ensinar. É um sistema bastante simples, criado por um pensador alemão, um sujeito chamado Niklas Luhmann. O método vai te ajudar a escolher os seus temas "de baixo para cima", escrever textos vivos, dialógicos, impregnados de um debate vivo e corrente. Trata-se do Método Zettelkasten. E para os autores de ficção, é uma maneira de apropriar-se daquilo que lê, sem sobrecarregar a nossa atenção, criando um sistema cumulativo e processual de leitura e aprendizagem. Clique AQUI para assistir ao tutorial que preparamos. Inscreva-se no canal para receber dicas e material exclusivo! Clique em: https://escritacriativa.net.br/