
O Salão da Agricultura está de volta a Paris e transforma a capital francesa num grande palco do mundo rural. A edição deste ano conta com uma particularidade inédita: pela primeira vez, os visitantes não encontrarão as emblemáticas vacas que costumam ser as estrelas do evento. A razão principal prende-se com a dermatose nodular contagiosa, uma doença que, este ano, afectou muito o gado bovino em várias regiões do país. Por essa mesma razão, as 28 organizações que representam as raças bovinas decidiram não levar os seus animais ao salão para proteger a saúde dos rebanhos e evitar qualquer risco de contágio. A presença das vacas mobiliza todos os anos milhares de pessoas e esta ausência de peso já está a ter consequências. Os organizadores da Feira destacaram que, nos primeiros quatro dias de evento, existiu uma queda acentuada no número de visitantes, na ordem dos 25%. Ainda assim, há quase 3.500 animais presentes, entre ovinos, caprinos ou até mesmo animais de companhia, como é o caso de cães e gatos. Pastéis de nata e enchidos portugueses fazem as delícias dos visitantes No certame, participam duas empresas portuguesas, desde logo o Fumeiro Artesanal de Seia. Aqui, os produtos fazem lembrar a "receita da avó". Francisco Mendes, director de vendas, falou-nos sobre a edição deste ano e recordou que já estão presentes no salão há 15 anos. "Este ano está a correr relativamente bem, mas existe menos gente a visitar o salão, este ano", começou por confessar Francisco Mendes, que aponta várias razões para esta diminuição da afluência, desde logo o facto de terem mudado de pavilhão, mas também "pelo poder de compra" ou "pelas notícias de não haver as vacas este ano". Este ano, como não poderia deixar de ser, os pastéis de nata portugueses estão novamente a fazer sucesso no Salão da Agricultura, conforme nos dá conta Bernardo Amaral, vendedor nesta empresa, já está presente no evento há mais de uma década. "Nós aqui vendemos o típico pastel de nata, típico de Portugal, de Lisboa, acompanhado pelo café português, pela ginginha e pelo vinho do Porto. O pastel de nata é conhecido a nível internacional e o povo francês, habituado à típica patisserie française gosta muito deste papel e adere bem à compra", explicou-nos o vendedor, que espera uma maior afluência de clientes nos últimos dias do evento. Pouco tempo depois desta conversa, encontrámos Fabian, um jovem de 23 anos, de origem portuguesa, que não resistiu a vir provar os pastéis de nata. "Por agora, ainda só vi os pasteis de Nata. Vim directamente porque é um produto fantástico de Portugal. Tenho muitas saudades de Portugal. É um conforto para os portugueses ter estes produtos cá", garantiu, este jovem lusodescendente, ao microfone da RFI. A poucos metros dali, a presença lusófona continua a fazer-se representar. Encontrámos o restaurante "Delícia do Brasil", empresa que participa em 10 feiras por ano e que surgiu da ideia de um casal internacional, conforme nos contou Emília dos Santos, recepcionista neste local. "É um brasileiro que é casado com uma francesa que teve esta ideia e dão oportunidade a brasileiros e portugueses que trabalham aqui connosco", disse Emília, lamentando depois que este ano, o espaço tenha passado do pavilhão 5 para o 7.1 porque as pessoas não estão familiarizadas com esta mudança. Este evento incontornável do mundo da agricultura decorre até ao próximo domingo, 01 de março, na Porte de Versailles, em Paris.