![[A Origem do Sabor] Miguel Genovese - Meliponicultor na Meliponário Atlante. Mel de abelha nativa, Mata Atlântica #EP04](https://images.podster.com.br/shared/73a31e5b1c52d7d13a977059141defb4d2adfddd44dbadb3beedaa4647f6b87c/512.webp)
E se o mel que você conhece for só uma pequena parte da história? Neste episódio de A Origem do Sabor, Élvio Rocha recebe Miguel Genovese, meliponicultor do Meliponário Atlante, para uma conversa que começa nas abelhas nativas sem ferrão e vai muito além do alimento. O papo atravessa Mata Atlântica, preservação, espiritualidade, agrofloresta, ciência, gastronomia e reconexão com aquilo que nasce da terra. Miguel explica o universo da meliponicultura, mostra a diferença entre as abelhas com ferrão e as abelhas nativas brasileiras, e revela como espécies como Jataí, Borá, Bugia, Mandaçaia, Canudo e Uruçu produzem méis completamente diferentes entre si. Não é só doçura: é acidez, fermentação natural, resina, fruta, ervas, floresta, umidade, textura e terroir. Cada mel carrega a assinatura da espécie, da rainha, das plantas visitadas e do bioma onde nasce. A conversa também mergulha no propósito do Meliponário Atlante, criado dentro da Fazenda São Roque, em Paraty, como uma forma de preservar a Mata Atlântica por meio de uma agroindústria de floresta. As abelhas polinizam, a floresta responde, o mel vira produto — e toda essa cadeia ajuda a manter vivo um território, uma cultura e uma forma mais consciente de produzir. Destaques 🐝 O que é um meliponicultor Miguel explica que meliponicultura é a criação de abelhas nativas sem ferrão, um universo ainda pouco conhecido por muita gente. Enquanto a abelha com ferrão mais popular no Brasil tem origem exótica, as abelhas nativas fazem parte dos nossos biomas e somam centenas de espécies espalhadas pelo país. 🌳 Meliponário Atlante e Mata Atlântica O Meliponário Atlante fica na Costa Verde do Rio de Janeiro, dentro da Fazenda São Roque, em uma área de Mata Atlântica preservada. O projeto nasce com um propósito claro: criar uma atividade capaz de gerar receita para cuidar da floresta, fortalecendo a biodiversidade por meio da polinização. 🍯 Mel vivo, fermentação e serume Ao contrário do mel convencional, o mel de abelha nativa é armazenado em potes feitos de serume, uma mistura de cera com resinas coletadas na floresta. Dentro desses potes, acontece uma fermentação natural que transforma o néctar em um mel mais líquido, complexo e cheio de personalidade. 🧬 Cada abelha imprime seu DNA no sabor Uma das ideias mais fortes do episódio é que cada espécie interfere diretamente no perfil do mel. Mesmo dentro da mesma fazenda, os méis podem ter cores, aromas, texturas e sabores completamente diferentes. O sabor nasce do encontro entre abelha, floresta e tempo. 🧀 Alta gastronomia e harmonização com queijo Miguel conta que o mel de abelha nativa já aparece em restaurantes de alta gastronomia, usado mais como tempero do que como sobremesa. Um fio sobre peixe, carne de porco, salada ou queijo pode mudar completamente o prato, trazendo acidez, resina, frutas e notas herbais. 🌱 Origem, reconexão e alimento com propósito Mais do que explicar técnicas de criação, o episódio provoca uma reflexão sobre como nos afastamos da origem dos alimentos. No fundo, mostra que farm to table não é só sobre chegar do campo à mesa. É sobre entender quem produz, como produz, por que produz e o que isso transforma em nós.