![[SommCast] Pedro Ribeiro - Enólogo do projeto Bojador, o Resgate dos Vinhos de Talha no Alentejo #EP131](https://images.podster.com.br/shared/c84925c1057dd0e284b05e417e921b23a1282289da3d0ffd5f9a136e30ee09f7/512.webp)
Pedro Ribeiro não é só um enólogo — ele é um provocador de sistema. À frente do projeto Bojador, ele desafia tudo aquilo que o mundo do vinho convencionou como “correto” nas últimas décadas. Neste episódio do SommCast, a conversa parte de uma pergunta simples, mas poderosa: e se o futuro do vinho não estivesse na tecnologia… mas na tradição esquecida? Do Douro à Austrália, até chegar ao Alentejo, Pedro construiu uma trajetória que mistura pragmatismo, inquietação e identidade. No papo, ele abre o jogo sobre o que realmente trouxe da enologia moderna (spoiler: não foi tecnologia, foi mentalidade), e como isso moldou um projeto que resgata vinhas velhas, castas esquecidas e uma forma de fazer vinho com mais de 2.000 anos — os vinhos de talha. A conversa evolui para temas mais profundos: o peso do mercado, a banalização do “vinho natural”, a busca global por frescor e autenticidade, e o desafio de equilibrar terroir com escala e negócio. No fim, fica uma provocação que ecoa muito além da taça: estamos mesmo evoluindo… ou só desaprendendo o essencial? Este episódio é para quem quer entender o vinho como cultura, como escolha e como posicionamento. Destaques 🍷 Vinho de talha: tradição ou revolução? Pedro mostra como uma técnica com mais de 2.000 anos — trazida pelos romanos — se tornou hoje um dos movimentos mais relevantes do vinho contemporâneo. Não é nostalgia: é reposicionamento cultural. O que antes era consumo local virou produto de alta gastronomia global. 🌱 Vinhas velhas e identidade real de terroir O Bojador nasce da recuperação de vinhedos antigos, alguns com quase 100 anos, muitos abandonados. Mais do que qualidade, isso traz diversidade genética, complexidade e resistência — inclusive às mudanças climáticas. 🔥 Menos álcool, mais frescor: a nova direção do vinho Em um mundo que exaltou potência e concentração por décadas, Pedro vai na contramão: colhe mais cedo, busca acidez e leveza. Resultado? Vinhos mais gastronômicos, mais bebíveis e mais conectados ao estilo de vida atual. 🧠 Pragmatismo australiano vs. romantismo europeu A passagem pela Austrália não trouxe tecnologia — trouxe clareza. Fazer vinho também é negócio. E entender isso foi essencial para transformar um projeto autoral em algo viável, sem perder identidade. ⚖️ Terroir vs. escala: o equilíbrio necessário Uma das discussões mais honestas do episódio: dá pra fazer vinho de verdade em volume? Pedro defende que sim — desde que haja equilíbrio. Nem microprodução irrelevante, nem industrialização vazia. 🌍 O mercado está mudando — e rápido Menos consumo, mais exigência. O consumidor quer história, origem e propósito. Vinhos padronizados perdem espaço. Vinhos com narrativa ganham relevância — principalmente na alta gastronomia. 🍇 Field blend: o caos que cria equilíbrio Vinhedos com mais de 20 castas diferentes colhidas ao mesmo tempo. Parece desorganizado — mas é exatamente isso que cria complexidade. O equilíbrio nasce do desequilíbrio. 🚫 Vinho natural: conceito ou desculpa? Pedro traz uma visão direta: os melhores vinhos que ele já provou eram naturais — e os piores também. A crítica não é ao conceito, mas à banalização e ao uso como justificativa para defeitos. 🇧🇷 Brasil no radar do mundo do vinho O mercado brasileiro ainda é pequeno, mas extremamente promissor. Aberto, curioso e emocionalmente conectado ao vinho. Para produtores como Pedro, é um dos mercados mais estratégicos do futuro. 🍽️ Vinho como experiência, não produto No fim, tudo converge para isso: o vinho que sobrevive não é o mais técnico, é o mais humano. Aquele que conecta pessoas, histórias e momentos.